EU ODEIO A NATUREZA?
É o que costumam me dizer. Será que é verdade?
Lendo o artigo acima sobre Eric Barone, o criador do jogo Stardew Valley, na parte em que o avô do personagem que você controla deixa uma carta, comecei a refletir sobre essa frase de ser esmagado pela vida moderna da cidade e sobre o desejo aparente da maioria das pessoas de viver em um lugar bucólico, com árvores e pássaros por todos os cantos, plantando a própria comida, coletando lenha, levando um ritmo calmo, num lugar sem barulho, onde o vizinho mais próximo fica a centenas de metros, criando assim uma conexão com a natureza.
Pensei: eu não tenho esse sonho. Não quero isso pra mim. Quero estar no meio da cidade, com todas as suas contradições. Quero ver a plantinha nascendo à força no meio do paralelepípedo. Esse é o meu lugar. Aqui é onde eu nasci e esse é meu habitat natural.
Mas aí você diz: pô, o cara não gosta de natureza. Muito pelo contrário. Eu gosto dela, mas gosto muito mais de sair na rua, mesmo com carros passando, encontrar as pessoas andando com pressa ou em ritmos totalmente diferentes. Curto os diferentes rostos que encontro na rua, de observar as pessoas conversando, da ida ao museu, da agitação noturna, da livraria, do cinema e até do cafezinho de R$ 10,00.
Com certeza, morando no campo, minha rinite estaria menos atacada e a vitamina D em dia, mas esse negócio de ficar isolado me transformaria de vez num ermitão, daqueles que falam com um ser humano a cada 15 anos e vivem no próprio mundo.
Eu fui uma criança que se divertia muito toda vez que tinha a oportunidade de ir para o campo. Pescar no lago do vizinho, pular a cerca para pegar algumas frutas, subir em árvore. Quase um Chico Bento saído da Zona Leste
Pode ser que eu valorize menos porque morei por muito tempo em uma casa. Na ZL, em São Paulo, ao redor da minha casa havia muitos terrenos baldios e muitos morros. Uma vez, um amigo da escola, ao abrir a janela do meu quarto, me disse: “minha nossa, parece que estou no interior de Pernambuco”, ao avistar ao longe um vizinho levando o cavalo para pastar no mato.
No meu quintal, plantei inúmeras leguminosas. Costumavam dizer que eu tinha a mão boa para plantas. Já criei de galinha a rã. Tive de cachorro a papagaio. Minhas tartarugas estariam comigo até hoje se eu não tivesse tido a brilhante ideia de deixá las com um tio que morava em um sítio e conseguiu a façanha de perdê las no mato. Quem perde duas tartarugas?
Ou seja, eu conseguia fazer tudo o que uma criança do interior conseguia fazer, porém estando na cidade. Curiosidade: pra quem não conhece a ZL, quando eu era pequeno, os adultos diziam “hoje vou precisar ir pra CIDADE”. Queriam dizer que precisavam ir para a Sé ou para o centro de São Paulo.

Pode ser por eu ter morado em um bairro distante. Talvez isso tenha suprido meu desejo por uma vida mais campestre. Só sei que me sinto satisfeito em ir de forma bem casual, de vez em quando. O restante desse desejo eu satisfaço assistindo, aos domingos, ao Globo Rural e achando divertido o design e os nomes de festivais peculiares vindos dos confins mais rurais do Brasil.
Além da belezura de composição de cada poster. Note que começou na cavalgada e terminou no Jacinto Machado.
Bônus
Como assim eu não gosto de natureza? Os bichos me amam. Sou quase como a Branca de Neve andando pela floresta e eu posso provar.
Mais um bônus
Um lindo wallpaper para seu desktop e celular, com uma foto tirada por Francesco Franchi do Arnold Schwarzenegger para a revista italiana Intelligence in Lifestyle, de 2009, onde o ator está cercado por animais empalhados.






Amei